Retaliação do Brasil aos EUA pode impactar diretamente o SUS e tratamentos de alta complexidade



Por Rota Araguaia em 23/07/2025 às 09:51 hs

Retaliação do Brasil aos EUA pode impactar diretamente o SUS e tratamentos de alta complexidade
Reprodução

Redação

Uma possível retaliação do governo brasileiro à imposição de tarifa de 50% anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode trazer reflexos preocupantes para a saúde pública no país. A medida, caso adotada na forma de tarifas recíprocas ou quebra de patentes, pode afetar diretamente o Sistema Único de Saúde (SUS), que depende de medicamentos de alta complexidade importados dos EUA.

Segundo dados oficiais, o Brasil importou mais de US$ 1,7 bilhão em produtos farmacêuticos dos Estados Unidos em 2024, sendo US$ 930 milhões em medicamentos e US$ 750 milhões em vacinas e produtos imunológicos. Estima-se que cerca de 60% desses itens abasteçam diretamente o SUS — o maior comprador nacional desses insumos. O restante atende ao setor de saúde suplementar, como planos e hospitais particulares.

De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma), Nelson Mussolini, uma sobretaxa nesse contexto poderia comprometer seriamente o orçamento público. “A tarifa de 50% nos importados pode gerar um custo muito grande para o SUS. Se o governo decidir retaliar, que poupe a saúde. Uma quebra de patentes, por exemplo, pode gerar repercussão internacional grave”, alertou.

O setor farmacêutico brasileiro já enfrenta um déficit na balança comercial: foram importados US$ 6,7 bilhões em 2024, principalmente de insumos da China e da Índia, usados na produção de genéricos. No entanto, os medicamentos de alta complexidade — como os usados no tratamento de câncer, doenças raras e autoimunes — ainda são majoritariamente importados dos EUA.

O vice-presidente Geraldo Alckmin vem mantendo diálogo com setores industriais e representantes do agronegócio afetados pela nova tarifa. Nesta semana, também se reuniu com representantes de empresas de tecnologia americanas para buscar caminhos de negociação diplomática.

 

Por ora, o governo brasileiro sinaliza que prefere a via do diálogo, mas segue avaliando possíveis medidas de retaliação. A expectativa dos setores é que, qualquer que seja a decisão, a saúde pública não seja colocada em risco.



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